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14 de Fevereiro de 2020

Núcleo da UESPI desenvolve pesquisas sobre cultura pop e escritas periféricas

Por Priscila Fernandes

O Núcleo de Pesquisa em História Cultural, Sociedades e História da Educação Brasileira (Nupheb) da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) está desenvolvendo pesquisas a partir de produtos da cultura pop, em especial Histórias em Quadrinhos (Hqs), em um projeto voltado para escritas periféricas. Os estudos objetivam relacionar essa cultura com questões como gênero feminino, etnia negra, capoeira, infância, processos pedagógicos não formais e sociedades pós-modernas.

Alguns integrantes do Nupheb

O coordenador do Núcleo, Prof. Dr. Robson Silva, do curso de Pedagogia, afirma que as pesquisas no sentido cultural são base fundamental no desenvolvimento da capacidade crítica e de autonomia dos alunos frente ao conhecimento. “Os estudantes desenvolvem três competências essenciais: produção de projeto de pesquisa, elaboração, organização e efetivação de práticas de investigação acadêmica. Além disso, a pesquisa desenvolve a inquietação, a habilidade e a capacidade da aluna na busca por conhecimentos rigorosos que sustentarão sua prática docente no futuro”, pontua.

A estudante do curso de Pedagogia, Iohana Silva, sob orientação do professor, produz uma pesquisa sobre a Mulher Maravilha e o protagonismo feminino de uma super-heroína de histórias em quadrinhos(HQ). Ela afirma que a pesquisa está focada em compreender esse protagonismo da mulher, que é abordado de diferentes formas nos quadrinhos da Mulher Maravilha, especialmente nas origens da personagem nos anos 30 e 40, juntamente aos Hqs dos anos atuais.

Capa de um dos HQs da Mulher Maravilha|  Foto: Reprodução DC

“A Mulher Maravilha tem sua origem segregada, de acordo com a época a qual é contada. Ela se depara a todo instante com um mundo machista e precisa se posicionar para ter voz nesse ambiente e ser ouvida. Para isso, ela rompe com conceitos e tradições de sua sociedade (As amazonas, na Ilha do paraíso) indo ate o mundo dos homens, se transformando aos poucos e se consolidando como uma Mulher poderosa e heroína. Com isso, eu como mulher e pesquisadora, posso fazer mais pesquisas referentes ao assunto e ter um posicionamento sobre, ou seja, ter autonomia”, destaca.

A estudante Liziane Nery  também desenvolve uma pesquisa sobre HQ: Sentidos e representações da concepção da infância nas histórias em quadrinhos (Hq). Segundo ela, tudo começou quando ela leu o quadrinho “Infância no Brasil”, do autor José Aguiar.

Ela destaca que o HQ é considerado a 9° Arte, e é uma ferramenta muito rica para pesquisas. “Quando eu li, me surpreendi sobre como era rica história, abordava sobre como a criança é vista na sociedade brasileira através de todos esses anos. E foi quando resolvemos estudar sobre o tema, pois ele tem tudo haver com a Pedagogia, sobre como é importante entender o papel da criança na sociedade e saber que nem sempre houve a infância necessariamente do modo que conhecemos atualmente”, disse. O tema foi escolhido para a pesquisa para justamente mostrar que é possível utilizar os quadrinhos dentro da academia. “Eles tem muito a nos dizer”, reforça a aluna do curso de Pedagogia.

Ambas as pesquisas ainda estão em desenvolvimento e têm previsão de conclusão em Agosto de 2020. Elas serão apresentadas no evento do PIBIC, realizado todos os anos na UESPI. Além dessas, no Nupheb são desenvolvidas pesquisas sobre etnia negra, capoeira, processos pedagógicos não formais e sociedades pós-modernas.

Escritos Periféricos

Todas as pesquisas do Núcleo de Estudos são publicadas em seu desenvolvimento no site “Escritos Periféricos”. O site é um projeto do professor Robson Silva com a professora Cristina Costa, do curso de História da UESPI, com o objetivo de criar um espaço para socializar produções de pesquisadores nacionais e estrangeiros, que trabalharão com temáticas atuais e contribuam para se legitimar em outros modos de pesquisar na academia.

A professora Cristina Rocha ressalta que a proposta é ter um diálogo interdisciplinar. “Queremos divulgar o que a gente produz dando um sentido social. Buscamos uma discussão que seja ampliada para outros públicos para além da acadêmia”, disse. Ela acrescenta que a ideia é produzir escritos que possam falar de temas urgentes, que atravessem a arte, a literatura, a política, entre outros.

As pesquisas geralmente seguem linhas de pensamento focadas na área de narrativas biográficas e autobiográficas não diretivas, etnográficas e história oral. Elas buscam focar na importância dos territórios da educação, sociedade e cultura, além dos diálogos com a contemporaneidade e com os novos olhares de investigação.

De acordo com os fundadores do Escritos Periféricos, o canal é aberto para alunos, pesquisadores e professores de todo o Brasil. O site já conta com colaboradores e inscritos de vários estados. Os interessados em inscrever-se ou se tornar um colaboradores devem cadastrar seu e-mail no site.

 

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