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19 de Junho de 2019

Memória UESPI: Cerrado do Alto do Parnaíba, as riquezas do maior município do Piauí

Por Valéria Soares

Na décima segunda e última reportagem da série Memória UESPI, vamos contar a história do nome do campus da cidade de Uruçuí, localizada a mais de 600 km da capital.

O campus recebeu seu nome durante a produção desta série. A titulação foi dada para homenagear a grande região dos cerrados piauienses. Uruçuí, cidade com mais de 20 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o maior município piauiense em extensão territorial e um dos maiores do Nordeste. Conheça a história do campus Cerrado do Alto do Parnaíba.

O nome do campus

O campus de Uruçuí ganhou nomenclatura em março de 2019, após uma escolha entre os professores da unidade universitária e aprovado pelo conselho de campi. A região de Uruçuí recebeu a unidade da UESPI em 2002, através da Resolução CONDIR nº 005/2002, logo sendo estabelecida na cidade foi chamada de “Campus de Uruçuí” por todos esses anos. Após a discussão de escolha para Cerrados do Alto do Parnaíba, o novo nome está passando por processo de legais e jurídicos para ser colocado em Lei Estadual.

Uruçuí está localizada na região do Tabuleiro do Alto Parnaíba e possui uma grande área de Cerrado com alto potencial de desenvolvimento e um rico bioma. A sua região é banhada por três rios: Parnaíba, Uruçuí Preto e Balsas. Por está localizado exatamente nessa região, este foi um fator determinante na escolha do nome do campus da UESPI. “Escolhemos um nome que marca muito bem a região, uma vez que não somos valorizados ou até mesmo esquecidos por aqueles que não conhecem o potencial da região”, acrescenta Marlei Rosa dos Santos, professora do curso de Agronomia.

Na escolha estiveram presentes professores dos três cursos do campus: Pedagogia, Administração, Engenharia Agronômica. Foram apresentadas quatro opções de nomes e escolhido três para serem votados: Campus Rio Uruçuí Preto; Campus Uruçuí Preto e Tabuleiro do Alto Parnaíba. A professora Rosa Maria Borges ressalta que o nome eleito foi uma forma de valorizar a região.

Uruçuí: a capital dos cerrados

De acordo com dados da prefeitura do município, a cidade foi emancipada em 23 de junho de 1902 por meio da lei nº 290 de iniciativa do legislativo estadual. “A emancipação foi motivada pelo crescente serviço de navegação fluvial que acontecia entre as cidades piauienses de Parnaíba, Teresina, Floriano e São Félix de Balsas (MA), tendo Uruçuí como entreposto desse rico processo. Isto com início nas últimas décadas do século XIX”, registram os dados. Antes do processo de emancipação a região se chamava Nova Villa.

No artigo Uruçuí: Aspectos Históricos e sociais, o professor Anchieta Santos explica a mudança do nome da cidade e as origens da palavra: “O nome Urussuhy, como era grafado antes ou Uruçuí, na atual escrita, tem uma forte simbologia construída por componentes naturais que justificam a glória que o poeta canta em seu hino. Em uma análise direta, poderia dizer que a palavra Uruçuí significa alimentação: pão e vinho, comer e beber”, afirma.

De acordo com ele, a palavra “uruçu” vem de abelha e o “í” de água. “ Uruçu é uma pequena abelha amarelada que existia em abundância nas proximidades dos rios Uruçuí-Preto e Parnaíba; ainda existe em pequena quantidade. Ela produz um mel comestível que serviu como fonte de alimentação dos nativos e outros habitantes da grande Uruçuí. Não apenas alimento, o mel da abelha uruçu foi significativa fonte de renda, prevenção e cura de várias doenças por mais de um século. O “í” que é o segundo elemento que compõe o nome do nosso município, é de origem Tupi Guarany e significa água”, explica. Para o docente, todo processo de desenvolvimento da região se deve à “estrada líquida e fluída”. A navegabilidade pelo rio Parnaíba e Balsas permitiu que a cidade tivesse os seus primeiros habitantes, as primeiras cargas de sal e as primeiras peças de tecidos.

Anchieta Santos também relembra que a empresa “Oliveira, Pearce & Comp.” foi uma das pioneiras na navegação dos rios, com contrato regulamentado pelo Governo Federal (Nilo Peçanha). “Por longos anos, parte das extensas áreas de terras dos cerrados, veredas e baixões, foram ocupadas apenas pela criação de animais e agricultura de subsistência. Somente na década de 90 é que se inicia o uso das terras dos cerrados para plantio de grãos em larga escala”, acrescenta.

O cerrado com fonte de pesquisa e riqueza

A cidade de Uruçuí se transformou em campo de atuação de muitos pesquisadores, principalmente, nas ciências agrárias. Também por ser conhecida como uma região de terras férteis para a produção de grãos, empresas de grande porte investem no cultivo da soja, explorando o grande potencial dos cerrados.

Na UESPI de Uruçuí, os professores dos três cursos têm se dedicado a fortalecer a pesquisa, com diferentes abordagens. O professor Francisco Gomes Júnior, do curso de Agronomia, estuda aspectos relacionados à extensão dos cerrados, e as características dos solos, ecossistemas e recursos hídricos.

A professora Lorena Raquel de Alencar, do curso de pedagogia, realiza trabalhos de articulação com as comunidades e assentamentos próximos a cidade. “A área que pesquiso é a prática educativa na educação do campo”, explica. Ela busca discutir a formação dos sujeitos do campo no sentido da militância, da prática produtividade, das escolas e da cidadania.

Um dos docentes recém-chegados no campus é o professor João Valdenor Pereira. No curso de agronomia ele tem buscado se inserir em pesquisas que visem a utilização racional dos recursos hídricos, destinados às áreas irrigadas. “Além disso, estamos contribuindo também para a investigação e melhor eficiência na aplicação comparativa entre o uso de defensivos agrícolas via aérea/via terrestre, que é bastante utilizado aqui na região”, destaca.

“Minha principal área de atuação é a semente. Pesquiso as espécies nativas do cerrado com grande potencial para utilização na alimentação, visando plantios comerciais principalmente de frutíferas como a gafaria. Também desenvolvo experimento com fazendas produtoras de sementes para comercialização ou consumo próprio”, retoma a professora Marlei Rosa.

As pesquisas sobre substratos orgânicos e regionais para produção de mudas de diversas espécies são desenvolvidas pela diretora do campus, Anarlete Ursulino. Enquanto que outra professora, Denise Moreira, atua no âmbito educacional, com a atenção voltada ao papel da educação nos impactos da progressiva substituição da produção pesqueira e agropecuária extensiva sobre a população nativa, principalmente das famílias que migram com crianças e jovens do campo para a cidade.

Uruçuí tem uma riqueza imensurável a ser explorada pelos pesquisadores. A professora Marlei ressalta que esse potencial só precisa ser feito com consciência da preservação ambiental. Para ela, a cidade tem fortes pontos para o desenvolvimento, mas é preciso investir em mais áreas de atuação profissional, para que os filhos de Uruçuí possam ser inseridos no mercado de trabalho.

A professora Lorena de Raquel Alencar destaca que a contribuição da universidade para a região deve fortalecer a construção social e cultural da cidade, a história da cidade, a economia e as relações sociais. A grandeza da região dos cerrados precisa ir além do território.


Na décima primeira reportagem da série “Memória UESPI”, contou-se a história do campus Dom José Vázquez Días, localizado na cidade de Bom Jesus. Confira aqui.

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