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10 de Março de 2017

Abertura de Simpósio debate relevância de discutir uso medicinal de canabinóides

Por Jônatas Freitas

O Simpósio Sobre Uso Medicinal de Canabinóides, iniciativa do Governo do Estado do Piauí, teve sua abertura realizada na noite desta quinta (09), no Diferencial Buffet. O evento contou o governador Wellington Dias, com representantes da UESPI, UFPI, SESAPI, dentre outros órgãos, além de estudantes e profissionais de áreas relacionadas como Psicologia, Enfermagem e Medicina.

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Em seu discurso na mesa de honra do evento, Wellington Dias falou também como pai e relembrou do tratamento difícil pelo qual sua filha passou desde o nascimento. Segundo o governador, ela teve que tomar medicamentos severos que não conseguiam interromper completamente os casos de convulsões que apresentava. Somente com medicamentos fitoterápicos a base de canabidiol, um dos princípios ativos encontrados nas plantas da família Cannabis, a jovem teve melhora em seu quadro.

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Governador Wellington Dias

“Esse simpósio tem por objetivo ações práticas, como nivelar o conhecimento sobre a Cannabis no Piauí e no Brasil com o que existe de mais avançado no mundo, então temos cientistas, pesquisadores, para que tenhamos conhecimento sobre as diferentes substâncias que podem garantir cura de doenças. Citei a história da minha própria filha Daniele, que tinha problemas de epilepsia, desmaios, convulsões, e os reduziu substancialmente. Então eu e outros pais queremos que outras pessoas possam usufruir desse tratamento”, afirmou o governador. Além disso, foi celebrado um convênio envolvendo Governo, Secretaria De Saúde e as universidades, que agora estarão integradas com áreas de pesquisa de outros centros como a UNB e UFPB. Outro ponto também foi o de prosseguir melhorando a legislação, para permitir a pesquisa e o uso medicinal dos canabinóides.

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Reitor Nouga Cardoso assinando o convênio na mesa de honra

O reitor Nouga Cardoso Batista exaltou a grande presença de estudantes e profissionais, interesse que também justificaria a realização do evento. “O uso de medicamentos dessa fonte ainda não foi exaustivamente pesquisado, mas já se tem o conhecimento de que promove resultados em muitas enfermidades, principalmente relacionadas a distúrbios neurais. Há aqui interesse de vários pesquisadores, estudantes e profissionais, de forma que reconhecemos ser um evento que vem na hora certa, e o próprio desejo das pessoas de virem já reflete a importância de se debater esse tema”.

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Relato de pais que tratam seu filho através de canabinóides

A noite também foi marcada pela palestra “Aspectos farmacológicos da Cannabis e suas perspectivas terapêuticas na atualidade”, ministrada por Katy Lísias Gondim Dias de Albuquerque, professora e pesquisadora da UFPB. “O que desejamos é uma divulgação do tema, desmistificação, quebra de paradigmas, de preconceitos para o uso medicinal da cannabis. Nós gostaríamos muito que houvesse um respaldo público do governo para depois desse evento, que as universidades entrassem em parceria também com as ligas canábicas, todos ajudando todos para tentar desmistificar e quebrar esse preconceito com o uso medicinal da planta”, afirmou a pesquisadora.

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Katy Lígias

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Júlio Américo

As ligas canábicas citadas por Katy são um projeto desenvolvido por Júlio Américo Pinto Neto, presidente da Liga Canábica da Paraíba e que está ajudando a difundir mais das ligas por outros estados, inclusive no Piauí. Júlio esclareceu que a planta é capaz de auxiliar no tratamento de diversas doenças: “Temos uma série de pacientes não só com epilepsia, mas também com Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, doenças autoimunes, transtornos psiquiátricos e outras patologias que estão precisando desse tratamento pra viverem mais e melhor. Há artigos científicos comprovando a eficácia nessas patologias, então a gente quer políticas públicas para vencer o preconceito, pra que vejam que a cannabis é só uma planta, e que tem valor medicinal sim, então temos explorar esse valor medicinal”, afirmou.

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Rosemarie, à esquerda, junto de outros organizadores e da administração superior da UESPI

Uma das organizadoras do evento, Rosemarie Brandim Marques, é professora de Toxicologia do curso de medicina da UESPI. A docente discorreu especialmente sobre as dificuldades que os pesquisadores brasileiros tem de conseguir fazer seus estudos, uma vez que tem que importar as substâncias de outros países, num processo caro e lento. “Primeiro precisamos esclarecer a população de que as substâncias extraídas da cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, podem ser e já são utilizadas como medicamento. São substâncias promissoras, então precisamos discutir e tentar fazer com que o Brasil tenha leis que nos autorizem a trabalhar com a planta no sentido medicinal. Seria bom que conseguíssemos produzir o medicamento aqui, o que ia diminuir os custos pra quem precisa”, reflete.

Fonte:
Assessoria de Comunicação - UESPI
comunicacao@uespi.br