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8 de Outubro de 2018

Memória UESPI: Ariston Dias Lima, o mestre da oratória

Por Valéria Soares

Na décima reportagem da série Memória UESPI vamos contar a história do Campus  Professor Ariston Dias Lima, localizado na cidade de São Raimundo Nonato, cerca de 500 km da capital do estado.

Alfaiate, tabelião, advogado, guarda–livros e professor, foram algumas das múltiplas profissões de Ariston Dias Lima, personalidade homenageada pela UESPI. O homem que compilou dados sobre a própria trajetória, deixou um legado na construção histórica do município situado na macrorregião do semiárido piauiense.

Professor Ariston Dias Lima

Professor Ariston Dias Lima

O nome do campus

Com a aprovação do novo estatuto do processo de interiorização dos campi e ampliação dos cursos da Universidade Estadual do Piauí, em 1º de dezembro de 1995 foi autorizado o funcionamento do campus de São Raimundo Nonato. O prédio foi inaugurado em 17 de fevereiro de 2000, com o nome do Professor Ariston Dias Lima.

Fachada do Campus Profº Ariston Dias Lima em São Raimundo Nonato

Fachada do campus Profº Ariston Dias Lima em São Raimundo Nonato

O propositor da homenagem, o ex-vereador João Eudes de Castro, conta que a UESPI foi um grande presente para toda região. “Naquela época nós recebemos a UESPI como uma oportunidade. A gente dizia assim: os filhos pobres que viraram doutores”. Segundo ele, para homenagear a instituição foi pensado o nome do professor Ariston.

“Ele foi um mestre né!? Foi um grande professor, advogado. Era uma pessoa que o nome representava bem aquela instituição. Um nome forte que fez história em São Raimundo Nonato, mesmo na sua época com todas as dificuldades, ele se destacou com relação a educação”, conta João Eudes.

A neta, Keila Lima, relata que o avô recebeu várias homenagens em repartições públicas da área do direito, em que era muito atuante. Uma sala na OAB, outra Fórum e também no Ministério do Trabalho. “Mas como ele gostava de ser chamado de professor, faltava essa homenagem”, enfatiza.

Placa de inauguração do prédio localizada na entrada do Campus

Placa de inauguração do prédio localizada na entrada do Campus que nomeia o Profº Ariston Dias Lima

“Foi um reconhecimento pelo trabalho que ele fez na cidade. Porque tem uma biblioteca com nome dele também. Mas com essa homenagem foi o fechar do círculo. Uma universidade, o campus universitário. Pra ficar assim a história de uma pessoa que lutou muito pela educação e também na questão humana”, reitera o neto, Euvaldo Filho.

Dados Biográficos

Ariston Dias Lima era uma pessoa que gostava de documentar a própria história. Nos seus escritos sobre a trajetória de vida, registra a data do nascimento em 06 de abril de 1905, na Vila de São Raimundo Nonato. O filho de Deolindo da Silva Lima e Maria Eulália da Silveira era casado com Maria Amélia, com quem teve os filhos Socorro, José, Teresinha, Luis, Edilio, Raimundo Ney, Maria Olga, Antônio, Irene Marly.

Nos escritos, relata que aos sete anos ingressou na escola, onde foi aluno de José Leandro Deusdara. Segundo Ariston, o professor era um grande educador, mas muito exigente e gostava de aplicar a palmatória para os que não estudavam. Logo depois o docente deixou a cidade.

O acervo bibliográfico do Profº Ariston atualmente se encontra no Laboratório de Documentação e Pesquisa em História do campus

O acervo bibliográfico de Ariston atualmente se encontra no Laboratório de Documentação e Pesquisa em História do campus

Ariston precisou também se mudar para dar continuidade aos estudos, e foi morar no Remanso com os tios, José Ferreira Paes Landim e Antônia Dias Landim. Passou oito meses na escola, onde pôde aprender as disciplinas básicas, como a matemática, português, história e geografia. Mas teve que retornar a São Raimundo Nonato e deixar os estudos de lado, pois na cidade não havia colégio para o científico, o que seria o ensino médio.

Sem condições também para ir estudar em Salvador, optou por trabalhar e começou como aprendiz de alfaiate, na Alfaiataria do Sr. Raimundo Augusto de Carvalho. Passou dez anos na alfaiataria já conseguindo aprender o corte. Depois foi trabalhar com o amigo Antônio Bastos. Em 1927 montou a própria alfaiataria.

Já em 1928 resolveu abrir uma escola particular. Passou um bom período lecionando a disciplina de história. Seu neto, Euvaldo, conta que o avô formou muita gente. “Ele foi um dos professores aqui do Ginásio Dom Inocêncio. Depois ele se tornou professor daquele Ginásio moderno, que hoje é centro um integrado. Foi nomeado até pelo governador Petrônio Portela”, conta. Boa parte dos documentos e escritos de Ariston hoje se encontram no Laboratório de Documentação e Pesquisa em História do campus de São Raimundo, disponíveis para consultas.

Filhas e netos de Ariston Dias Lima

Filhas e netos de Ariston Dias Lima

Ele entrou na advocacia por influência do Coronel José Dias, assim acredita o neto Euvaldo. “Era o patriarca daqui e ele conversava muito com ele. Como ele era muito inteligente, ele começou a desenvolver, a pegar o livro da questão penal, essas coisas. Ele começou fazendo um concurso permanente feito em Teresina. Eaí ele se tornou um advogado rábula”, disse.

Mestre da oratória

Ariston gostava de escrever sobre os acontecimentos históricos no Brasil e no Mundo. Pelo apreço à escrita, desenvolveu também uma boa oratória. Segundo os familiares, ele discursava nos eventos importantes da cidade. “Meu pai era muito querido aqui e era o intelectual da cidade. Tudo que queria fazer aqui, chamavam meu pai”, falou Maria.

O neto Euvaldo conta que quando acabou a Segunda Guerra Mundial, o pai dele foi buscar o avô Ariston para fazer o discurso. “Ele tinha um carro, e foi buscar ele aqui pra fazer o discurso de encerramento. Sempre na semana da pátria ele discursava. Ele sempre era idolatrado nesse sentido. De ter o dom da palavra, de falar”.

Ariston discursava na maioria dos eventos da cidade

O Profº Ariston discursava na maioria dos eventos da cidade

Os familiares destacam que Ariston era muito querido pelos sãoraimundeses por conta da humildade. “Meu pai era daqueles simples e humilde. Às vezes quando ia receber o aluguel, a pessoa dizia ‘ohh seu Ariston não tenho dinheiro, nem pra pagar a luz’. Ele botava a mão no bolso e dizia: ‘ pois, vá pagar sua luz e vá pagar sua água, e a pessoa dizia: ‘ depois eu pago o senhor’, mas ele não aceitava”, conta a filha Maria.

Ariston viveu no seio de uma família política. Segundo o neto, ele gostava de política, mas não queria estar à frente de um cargo. Mesmo assim foi um nome cotado para ser candidato a prefeito de São Raimundo Nonato pelo Partido Social Democrático (PSD), em 1954. Mas o candidato da oposição, Padre Manoel Lira Parente, muito querido por uma parcela da região, ganhou o pleito com 202 votos. “Depois que terminou a eleição, foi a pessoa que ficou mais amiga do Padre Lira. E o padre foi o que mais ajudou meu avô. Naquele tempo tinha a dificuldade também”, conta Euvaldo.

Com a longevidade, viveu até os 93 anos, os filhos e netos puderam participar muito da vida do avô, que andava sempre bem-humorado e disposto a ajudar nas estripulias. “Todo mundo era louco por ele”, memora a filha Maria.

Ariston Dias Lima rodeado de filhos e netos

Ariston Dias Lima rodeado de filhos e netos


Na nona reportagem da série “Memória UESPI”, contou-se a história do campus “Campus Deputado Jesualdo Cavalcanti Barros”, localizado na cidade de Corrente. Confira aqui.

Fonte:
Assessoria de Comunicação - UESPI
comunicacao@uespi.br